Trifloxistrobina (trifloxystrobin)

08.06.2026 | 14:43 (UTC -3)

A trifloxistrobina (trifloxystrobin) é um fungicida foliar mesostêmico da classe das estrobilurinas, amplamente utilizado em programas de manejo de doenças em culturas como soja, trigo, frutas (maçã, manga, nectarina), hortaliças e arroz. No contexto agrícola brasileiro, destaca-se em misturas para o controle de ferrugem asiática da soja, mancha-alvo, oídio, manchas foliares e outras doenças fúngicas de importância econômica.

Nome comum: trifloxistrobina

Número CAS: 141517-21-7

Fórmula química bruta: C20H19F3N2O4

Classe química: estrobilurina (strobilurin) do subtipo metoxiiminoacetato. Pertence ao Grupo FRAC 11 (inibidores da quinona externa – QoI). É um inibidor da respiração mitocondrial.

Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: Fox, Nativo, Trifloxystrobin 500 WG Yonon

Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela Ciba-Geigy AG (Suíça) sob o código interno CGA 279202. Após a fusão que originou a Novartis (1996), os direitos foram associados à Bayer CropScience por volta de 2000. Registrado inicialmente nos EUA e África do Sul por volta de 1999. A Bayer o lançou comercialmente como Flint. Com a expiração das patentes compostas originais, surgiram genéricos e numerosas patentes de processos de síntese. É um dos estrobilurinas “de segunda geração” com boas propriedades de redistribuição superficial (mesostêmica).

Mecanismo de ação: inibe a respiração mitocondrial ao se ligar ao sítio Qo (quinone outside) do complexo III (citocromo bc₁), bloqueando a transferência de elétrons da ubiquinona para o citocromo c. Isso causa depleção de ATP e inibição rápida da germinação de esporos e do crescimento micelial. Apresenta ação preventiva forte e curativa parcial, com redistribuição local na superfície foliar (mesostêmica), conferindo boa resistência à chuva.

Espectro de controle: amplo espectro contra ascomicetos, deuteromicetos e alguns basidiomicetos. Também atua bem contra oídio, ferrugens, manchas foliares, antracnose e algumas podridões.

Compatibilidades e interações: boa compatibilidade física e biológica com triazóis (tebuconazol, prothioconazol), SDHIs e alguns inseticidas/acaricidas. Frequentemente formulado ou tanque-misturado com esses parceiros para ampliar espectro e manejar resistência. Apresenta boa rainfastness. Evitar misturas com produtos de pH extremo sem teste prévio de compatibilidade física. Pode apresentar fitotoxicidade em doses altas ou variedades sensíveis (ex.: alguns cultivares de uva ou cebola). Estrobilurinas como esta podem induzir efeitos fisiológicos positivos nas plantas (aumento de atividade fotossintética e “efeito verde”), mas o uso isolado e repetido seleciona resistência.

Posicionamento agronômico: fungicida foliar de contato / redistribuição superficial, ideal para aplicações preventivas no início do ciclo da doença ou no aparecimento dos primeiros sintomas. No manejo de resistência (FRAC 11 – alto risco), recomenda-se: (a) uso em mistura com fungicidas de outro modo de ação; (b) máximo de 1-2 aplicações por ciclo de cultura; (c) alternância com outros grupos; (d) monitoramento de sensibilidade.

Outras informações:

Trifloxystrobina é um fungicida estrobilurina. Controla amplo espectro de patógenos fúngicos de plantas. Experimentos de campo em 1998 e 1999 mostraram alta eficácia contra oídio em macieiras, mangueiras e nectarineiras. O fungicida também controlou ferrugem em ameixeiras. A dose de 0,01 a 0,015% v/v superou fungicidas DMI e enxofre na maioria dos experimentos. Em macieiras, trifloxystrobina superou penconazol no controle de oídio primário e secundário. A proteção variou de 95 a 100%. Em nectarineiras, foi superior a miclobutanil e penconazol em folhas e frutos. Em mangueiras, controlou melhor oídio em cachos florais que enxofre, hexaconazol e kresoxim-metil. Em ameixeiras, alcançou 98% de proteção contra ferrugem. O produto integra programas de manejo de doenças em pomares de maçã, manga e frutas de caroço. - DOI: 10.1016/S0261-2194(00)00026-0 -

Trifloxystrobina, nova estrobilurina, controla efetivamente o míldio (Plasmopara viticola) e o oídio (Uncinula necator) em videiras. Em laboratório, 0,1 μg/mL inibiu totalmente a germinação de esporângios de P. viticola e foi altamente efetiva contra conídios de U. necator, inibindo crescimento micelial e esporulação in vivo. Mostrou forte ação profilática e local, com atividade translaminar, mas sem translocação vascular. Em campo, duas aplicações foliares controlaram o míldio de forma equivalente ao metalaxil-Cu. Doses profiláticas de 100-150 mg/L superaram inibidores de esteróis e enxofre no oídio sob alta pressão de infecção, sendo tão eficazes quanto o enxofre em cachos infectados. É adequada para programas de controle integrado e estratégias de manejo de resistência em vinhedos. - DOI: 10.1080/07060660109506909 -

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