Spirotetramat

03.06.2026 | 16:34 (UTC -3)

Spirotetramat (fórmula bruta C21H27NO5) é um inseticida sistêmico da classe dos derivados do ácido tetrâmico (ketoenóis cíclicos), desenvolvido para o controle de pragas sugadoras perfuradoras em diversas culturas agrícolas. Ele se destaca pelo mecanismo de ação inovador (IRAC Grupo 23) e pela mobilidade ambimóvel na planta (translocação ascendente via xilema e descendente via floema).

Nome comum: Spirotetramat

Número CAS: 203313-25-1

Fórmula química bruta: C21H27NO5

Classe química: derivado do ácido tetrâmico (ketoenol cíclico / tetramic acid derivative). Pertence ao IRAC Grupo 23: inibidores da acetil-CoA carboxilase (ACCase), subclasse tetronic and tetramic acid derivatives.

Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela Bayer CropScience (Alemanha) nos anos 1990–2000 como o primeiro inseticida comercial da classe dos ketoenóis cíclicos. A molécula foi otimizada a partir de trabalhos com tetramic acid derivatives. Lançado comercialmente por volta de 2007–2008 sob o nome Movento (e Ultor em alguns mercados). Representou uma inovação por ser sistêmico ambimóvel, com longo residual e seletividade relativa.

Mecanismo de ação: inibidor da acetil-CoA carboxilase (ACCase), enzima chave na biossíntese de ácidos graxos e lipídios. Atua como pró-inseticida: é hidrolisado na planta/inseto para a forma enol ativa (spirotetramat-enol), que inibe a ACCase. Isso interrompe a formação de lipídios, afetando principalmente estágios imaturos (ninfas), causando falha na muda, redução de fecundidade e morte por inanição ou desidratação. É stomach-acting (ingestão) com algum contato. Tem ação lenta inicial mas residual prolongado.

Espectro de controle: amplo contra insetos sugadores perfuradores: pulgões, moscas-brancas, cochonilhas, psilídeos, filoxera da videira, ácaros e alguns tripes. Também demonstra atividade supressora em certos nematóides. Eficaz em culturas como citros, pomáceas, caroços, uvas, tomate, alface, brassicas, algodão, batata e hortaliças. Menos eficaz contra lagartas ou pragas mastigadoras.

Compatibilidades e interações: geralmente compatível com muitos fungicidas (ex.: triazóis, estrobilurinas) e outros inseticidas em misturas de tanque, desde que se faça teste de jarra (compatibilidade física e química). É considerado IPM-friendly com impacto relativamente baixo em muitos inimigos naturais (predadores e parasitoides), embora possa afetar alguns. Evitar misturas com produtos de pH muito ácido/alcalino ou formulações que causem fitotoxicidade. Não apresenta antagonismo significativo com a maioria dos produtos registrados para as mesmas culturas. Sempre consultar a bula específica e realizar testes locais.

Posicionamento agronômico: indicado para aplicação foliar no início da infestação ou preventivamente (quando há tecido foliar suficiente para absorção e translocação). Excelente para pragas que se desenvolvem em partes novas ou inferiores da planta graças à mobilidade ambimóvel. Doses típicas variam de 100-400 mL/ha (dependendo da formulação, cultura e praga; ex.: 150-300 mL/ha em muitas hortaliças/frutíferas). Boa cobertura foliar é essencial. Recomenda-se rotação com inseticidas de outros grupos de modo de ação (ex.: 7C, 16, neonicotinoides com cautela) para manejo de resistência. No Brasil, posicionamento forte em algodão (moscas-brancas e pulgões), frutíferas e hortaliças. É uma ferramenta valiosa em programas de manejo integrado, com residual longo (semanas). Monitorar populações e aplicar em limiares econômicos.

Números de patentes: EP0915846

Outras informações:

Avaliação de risco para usos representativos como inseticida/acaricida em citros e alface. Conclui que os riscos para saúde humana, consumidores (resíduos), operadores e ambiente são aceitáveis sob as condições propostas de uso, com endpoints confiáveis para avaliação regulatória, definições de resíduos e preocupações identificadas (ex.: dados faltantes em alguns aspectos ecotoxicológicos ou de exposição). Suporta o registro com restrições apropriadas. - DOI: 10.2903/j.efsa.2013.3243 -

Evidência fenotípica e genotípica clara de resistência ao spirotetramat em populações australianas de pulgão-verde-do-pessegueiro (Myzus persicae). - DOI: 10.1002/ps.7103 -

Spirotetramat é um inseticida derivado do ácido tetrâmico, uma substância sistêmica, para o controle de insetos sugadores em seus estágios juvenis e imaturos, incluindo pulgões, cochonilhas e moscas-brancas. Ele inibe o crescimento dos insetos jovens, reduz sua capacidade reprodutiva e resulta em mortalidade. Atua inibindo a biossíntese de lipídios e representa uma nova alternativa para o controle de insetos problemáticos como Planococcus ficus e Aphis gossypii. Após a aplicação foliar, o espirotetramato penetra na planta e se transforma em seu metabólito enol, juntamente com o metabólito cetohidroxi, que são os dois principais produtos de degradação. - DOI: 10.5772/61322 -

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