Picoxystrobin (picoxistrobina)

06.05.2026 | 15:17 (UTC -3)

Picoxystrobin (picoxistrobina) é um fungicida sistêmico amplamente utilizado na agricultura moderna, especialmente no controle de doenças foliares em culturas como cereais, soja, milho e canola. Ele pertence à classe dos estrobilurinas e é valorizado por seu amplo espectro de ação e movimentação translaminar e sistêmica.

Nome comum: picoxystrobin (picoxistrobina)

Número CAS: 117428-22-5

Fórmula química bruta: C18H16F3NO4

Classe química: strobilurina do tipo metoxiacrilato (QoI – Quinone outside Inhibitor). Código FRAC: 11. É um inibidor da respiração mitocondrial.

Principais nomes de produtos comerciais: Aproach e outros.

No Brasil, é especialmente relevante em formulações SC (suspensão concentrada) para soja.

Histórico de desenvolvimento: o picoxystrobin foi descoberto pela Syngenta (anteriormente Zeneca/ICI) como o quarto estrobilurina a chegar ao mercado. Lançado em 2001 como Acanto, principalmente para cereais na Europa. Em 2006, a Syngenta transferiu os direitos globais para a DuPont (hoje Corteva) em troca de direitos sobre outros produtos. A DuPont expandiu seu uso para soja na América Latina (lançamento de Aproach Prima no Brasil em 2006) e obteve registro nos EUA em 2012 como Aproach para milho, soja, cereais e outras culturas. Atualmente é um dos fungicidas estrobilurinas mais importantes da Corteva, com potencial de vendas significativo em mercados emergentes.

Mecanismo de ação: inibe a respiração mitocondrial ao bloquear o transporte de elétrons no sítio Qo do complexo citocromo bc1 (Complexo III) da cadeia respiratória. Possui ação preventiva, curativa, sistêmica (movimentação acropetal) e translaminar, com redistribuição por vapor. Interfere na produção de energia (ATP) dos fungos, impedindo o crescimento e a esporulação.

Espectro de controle: fungicida de amplo espectro, eficaz contra diversas doenças foliares causadas por Ascomycetes, Basidiomycetes e alguns Oomycetes (embora não seja o principal para esses).

Compatibilidades e interações: é compatível fisicamente com a maioria dos fungicidas, inseticidas e adjuvantes em tanque (recomenda-se sempre teste de jarro para verificar compatibilidade física). Misturas com triazóis (ex.: cyproconazole) são padrão para manejo de resistência e ampliação de espectro. Estudos mostram compatibilidade limitada com alguns biológicos em altas concentrações, mas boa sinergia com adjuvantes para melhor penetração foliar. Evitar misturas com produtos fortemente alcalinos ou que possam causar fitotoxicidade. Seguir sempre o rótulo do produto comercial.

Posicionamento agronômico: aplicação foliar preventiva ou curativa precoce, ideal no início do ciclo ou sob pressão moderada de doenças. Dose típica: 0,5–1,0 L/ha (formulação SC 22,5%) dependendo da cultura e doença. Excelente para programas de manejo integrado em soja (ferrugem asiática), trigo/cevada (ferrugens e manchas), milho (manchas foliares) e canola. Possui boa redistribuição por vapor, o que melhora a cobertura em dossel fechado. No Brasil, posiciona-se como ferramenta chave no “pacote ferrugem” da soja, contribuindo para produtividade e qualidade. Contribui para o “efeito stay-green” (manutenção da área foliar verde). Respeitar intervalos de aplicação e rotação com outros modos de ação (FRAC 11) para evitar resistência.

Números de patentes: EP0447004 (Syngenta, expirada em vários países), WO9701538 e outras.

Pesquisas científicas:

  • A piraclostrobina e a picoxistrobina degradaram-se facilmente em pepinos em condições de campo aberto. Os riscos a curto e longo prazo causados pelos resíduos finais de piraclostrobina e picoxistrobina foram insignificantes. O intervalo pré-colheita recomendado de 3 dias mostrou-se seguro. Este artigo será útil para o uso racional desses pesticidas e para a formulação do LMR (Limite Máximo de Resíduos) de picoxistrobina em pepinos. - doi.org/10.1002/jsfa.10563
  • A picoxistrobina é amplamente utilizada na agricultura, causando contaminação residual de habitats e ecotoxicidade. Neste estudo, uma cepa degradadora de picoxistrobina, denominada H-9, foi isolada e identificada como Hyphomicrobium sp. [...] A capacidade de detoxificação da cepa H-9 foi evidente, uma vez que mitigou a inibição do crescimento e o estresse oxidativo induzidos pela picoxistrobina em Tetradesmus obliquus. A cepa H-9 modulou a expressão de genes envolvidos na fotossíntese, no ciclo de Calvin, no ciclo do ácido tricarboxílico, na glicólise, no estresse oxidativo e na síntese de clorofila, aliviando, assim, a toxicidade da picoxistrobina em Tetradesmus obliquus. Este estudo aprimora nossa compreensão do mecanismo de desintoxicação de microrganismos em microalgas expostas ao estresse de SF e fornece uma nova perspectiva sobre a remediação microbiana de ambientes contaminados por SF. - doi.org/10.1021/acs.jafc.5c00652
  • A antracnose, causada por Colletotrichum truncatum e Colletotrichum gloeosporioides, está entre as doenças mais graves da soja na China. A picoxistrobina, um fungicida inibidor da quinona externa, é comumente usada para o controle da antracnose. Seu risco e mecanismo de resistência em Colletotrichum truncatum e Colletotrichum gloeosporioides ainda não estão claros. Neste estudo, investigou-se a sensibilidade de 128 isolados de Colletotrichum truncatum e 121 de Colletotrichum gloeosporioides à picoxistrobina, observando-se distribuições unimodais com valores médios de CE50 de 0,7740 e 1,1561 μg/mL, respectivamente. Onze mutantes de Colletotrichum truncatum e seis mutantes de Colletotrichum gloeosporioides resistentes à picoxistrobina foram obtidos, com valores de CE50 variando de 5,40 a 152,96 e de 13,53 a 28,30 μg/mL, respectivamente. Em comparação com os isolados parentais, os mutantes apresentaram aptidão relativa semelhante ou superior na produção e germinação de conídios, bem como na patogenicidade. Coletivamente, o risco de resistência de Colletotrichum truncatum e Colletotrichum gloeosporioides à picoxistrobina é de moderado a alto. Observou-se resistência cruzada positiva entre picoxistrobina e piraclostrobina, mas não entre picoxistrobina e fluazinam, difenoconazol ou propiconazol. A mutação G143S na proteína Cyt b foi detectada em sete mutantes de alta resistência de Colletotrichum truncatum (RF>100), e a mutação G137R ocorreu em quatro mutantes de resistência moderada (RF<50). Em contraste, não foram encontradas mutações pontuais em Cyt b em nenhum dos mutantes de Colletotrichum gloeosporioides. A modelagem molecular confirmou que as duas mutações conferiram diferentes níveis de resistência à picoxistrobina. Em ensaios em estufa, a picoxistrobina não controlou mutantes com a mutação G143S; aqueles com a mutação G137R ou sem mutação pontual foram controlados em certa medida, mas em um nível inferior ao dos isolados selvagens. Esses resultados demonstraram que estratégias de manejo integrado devem ser implementadas para preservar a eficácia do fungicida. - doi.org/10.1016/j.jia.2023.07.037

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