Paraquat (paraquat dichloride)

24.06.2026 | 08:26 (UTC -3)

Paraquat (paraquat dichloride) é um herbicida de contato não seletivo amplamente estudado e utilizado historicamente na agricultura, embora seu uso esteja restrito ou proibido em muitos países.

O uso e a comercialização de produtos contendo paraquat foram proibidos no Brasil pela Anvisa a partir de setembro de 2020 (Resolução RDC nº 177/2017 e atualizações).

Nome comum: paraquat

Nome sistemático: dicloreto de 1,1'-dimetil-4,4'-bipiridínio (ou dicloreto de N,N′-dimetil-4,4′-bipiridínio)

Número CAS:

1910-42-5 (para o dicloridrato)

4685-14-7 (para o íon paraquat)

Fórmula química bruta: C12H14Cl2N2

Classe química: herbicida bipiridínico (bipyridinium ou viologen), pertencente ao Grupo D (classificação HRAC legada; atualmente Grupo 22). Atua como desviador/aceptor de elétrons do Fotossistema I. É um composto quaternário de amônio redox-ativo.

Principais nome de produto comercial: Gramoxone.

Histórico de desenvolvimento: sintetizado pela primeira vez em 1882 por Hugo Weidel e M. Russo como corante (sal de iodeto). Suas propriedades herbicidas foram descobertas em 1955 nos laboratórios da Imperial Chemical Industries (ICI) em Jealott’s Hill, Berkshire, Inglaterra. A ICI iniciou a produção industrial em 1961 e o comercializou em 1962 sob o nome Gramoxone. Posteriormente, a molécula passou por empresas como Zeneca e Syngenta (atual detentora de grande parte da tecnologia original). Foi um dos herbicidas mais usados globalmente, especialmente em sistemas de plantio direto e como dessecante, por seu baixo custo e ação rápida.⁠

Mecanismo de ação: herbicida de contato não seletivo e de ação rápida. Atua como aceptor de elétrons no Fotossistema I (especificamente interceptando elétrons da ferredoxina). O paraquat é reduzido a um radical catiônico, que então reduz O₂ molecular gerando ânion superóxido (O₂•⁻) e outras espécies reativas de oxigênio (ROS). Isso causa peroxidação lipídica das membranas celulares, destruição de cloroplastos e rápida dessecação dos tecidos vegetais expostos à luz. Não é sistêmico (translocação limitada ou ausente porque mata o tecido muito rapidamente). A ação depende de luz e é mais rápida em condições de alta temperatura e radiação solar.

Espectro de controle: amplo espectro contra gramíneas e dicotiledôneas anuais (incluindo muitas espécies resistentes a outros herbicidas, como glifosato). Controla eficientemente plantas jovens e pequenas; em perenes, afeta principalmente as partes aéreas expostas (ponteiras). Usado como burndown (dessecante pré-plantio) e como auxiliar de colheita (dessecação de algodão, batata, soja, feijão, etc., para antecipar colheita mecânica e reduzir umidade).

Posicionamento agronômico: excelente para burndown em sistemas de plantio direto ou reduzido antes da semeadura de culturas anuais (soja, milho, algodão, arroz). Controle de plantas daninhas em entrelinhas ou faixas de culturas perenes (café, citros, banana, cana-de-açúcar, videira). Dessecante de pré-colheita para facilitar colheita mecânica.

No contexto brasileiro histórico, era valorizado pela rapidez de ação e custo-benefício em grandes áreas. Hoje, com a proibição, alternativas incluem glufosinato de amônio, diquat (também restrito em vários lugares), herbicidas residuais e métodos integrados (mecânicos, cobertura morta, rotação de culturas).

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