Hexitiazoxi (Hexythiazox) é um acaricida específico, não sistêmico, que tua por contato e ingestão.
Nome comum: hexythiazox
Número CAS: 78587-05-0
Fórmula química bruta: C17H21ClN2O2S
Classe química: derivado de tiazolidinona / tiazolidinacarboxamida. Pertence ao Grupo 10A do IRAC (inibidores de crescimento de ácaros que afetam a quitina sintase 1 — CHS1). É classificado como ovicida/larvicida com ação sobre estágios imaturos de ácaros.
Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: Savey WP, Viriato e outros.
Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela Nippon Soda Co., Ltd. (Japão). Primeiro reportado em 1982 e registrado no Japão em 1985. Introduzido comercialmente nos EUA por volta de 1989. No Brasil, ganhou relevância em citros para manejo do ácaro da leprose.
Mecanismo de ação: não sistêmico (contato + ingestão). Atua como inibidor de crescimento de ácaros (mite growth inhibitor) que afeta a quitina sintase 1 (CHS1). É principalmente ovicida e age sobre larvas e ninfas, inibindo a embriogênese dos ovos e o processo de muda (de larva para adulto). Apresenta efeito esterilizante parcial sobre novas posturas de fêmeas adultas. Estudos genéticos (mapeamento de alta resolução) confirmam que mutações específicas em CHS1 (ex. I1017F) conferem resistência cruzada a hexythiazox, clofentezina e etoxazole, elucidando o alvo molecular compartilhado.
Espectro de controle: altamente específico para ácaros fitófagos das famílias Tetranychidae e Tenuipalpidae. Controla eficientemente ovos, larvas e ninfas de Tetranychus urticae, Brevipalpus phoenicis, Brevipalpus yothersi e Panonychus spp. Tem pouca ou nenhuma ação direta sobre adultos. Usado em citros, maçã, pera, uva, morango, algodão, lúpulo, entre outras culturas.
Compatibilidades e interações: geralmente compatível com a maioria dos inseticidas, fungicidas e fertilizantes foliares recomendados para as culturas-alvo (sempre realizar teste de compatibilidade física em pequena escala e consultar bulas). Estudos mostram baixa toxicidade aguda a certos ácaros predadores, favorecendo o MIP, embora efeitos subletais em fecundidade ou desenvolvimento devam ser avaliados caso a caso. Pode ser associado ou rotacionado com adulticidas para ampliar o espectro. Evitar misturas com produtos de pH extremo que possam comprometer a estabilidade da formulação.
Posicionamento agronômico: ferramenta para controle de ácaros em frutíferas e algumas culturas anuais e semi-perenes. Recomendado para aplicações no início da infestação ou preventivamente, visando ovos e imaturos para quebrar o ciclo populacional. Geralmente uma aplicação por ciclo ou safra é suficiente devido à ação residual prolongada sobre estágios imaturos.
Estratégia essencial de resistência: rotação com acaricidas de diferentes grupos de modo de ação do IRAC. Monitoramento populacional, uso de doses registradas e preservação de inimigos naturais são fundamentais. É seletivo a muitos predadores quando usado corretamente, suportando programas de produção integrada e exportação.
Outras informações:
Apresenta dados de ensaios de campo e laboratório avaliando a eficácia de hexythiazox no controle de Tetranychus urticae em morangueiro. Os resultados mostram redução significativa nas populações de ácaros (com foco em ovos e imaturos) após aplicação, com contagens médias de ácaros pós-tratamento suportando seu uso como ferramenta eficaz no manejo de ácaros em morango. - DOI: 10.1093/amt/tsac117 -
Efeitos do hexythiazox sobre a biologia do ácaro predador Galendromus flumenis foram avaliados. A mortalidade foi muito baixa em todos os estágios (< 3%). Não houve efeito significativo na fecundidade das fêmeas tratadas, taxa de eclosão dos ovos, desenvolvimento da progênie ou proporção sexual. Os autores concluem que o produto provavelmente não disruptiria o controle biológico de ácaros-praga por este predador em condições de campo, favorecendo programas de MIP. - DOI: 10.1080/01647954.2016.1256348 -