Fluopicolida (fluopicolide)

05.05.2026 | 10:37 (UTC -3)

A fluopicolida (fluopicolide) é um fungicida de nova geração da classe das acilpicolidas, único no Grupo 43 do FRAC por seu modo de ação exclusivo sobre o citoesqueleto de oomicetos. Ao deslocalizar proteínas tipo espectrina, controla eficazmente patógenos como a requeima e o míldio, sem apresentar resistência cruzada com ativos tradicionais. Possui mobilidade meso-sistêmica (translaminar e via xilema), oferecendo proteção prolongada e ação curativa inicial em culturas de alto valor agregado. Sua aplicação é estratégica para a gestão de resistência e a sustentabilidade da produtividade agrícola no campo. É amplamente reconhecida pela alta performance em formulações combinadas, garantindo um manejo fitossanitário robusto e eficaz.

Nome comum: Fluopicolida (fluopicolide)

Número CAS: 239110-15-7

Fórmula química bruta: C14H8Cl3F3N2O

Classe química: pertence à classe dos acilpicolidas (acylpicolides), mais especificamente benzamidas e piridinas. É um fungicida de nova geração, distinto de outras classes usadas contra oomicetos (como fenilamidas ou estrobilurinas).

Principais nomes de produtos comerciais:

No Brasil: Infinito (Bayer, combinação de fluopicolida + cloridrato de propamocarbe), amplamente registrado e usado em culturas como batata, tomate, pepino e hortaliças.

Internacionalmente: Profiler (com fosetyl-Al, para videiras), Infinito (mesma combinação), Presidio, Adorn (Valent, EUA, para hortaliças, uvas e ornamentais).

Histórico de desenvolvimento: a molécula foi pesquisada inicialmente pela Afon Technology UK Co., Ltd. (anteriormente ligada à AgrEvo / Aventis CropScience) e desenvolvida pela Bayer CropScience após aquisição da empresa. Foi lançada comercialmente em 2006, com registros iniciais na Europa, China, Coreia e outros países. No Brasil, a formulação Infinito da Bayer é um dos principais produtos registrados.

Mecanismo de ação: é um modo de ação inédito e único (classificado como FRAC 43). A fluopicolida deslocaliza proteínas semelhantes à espectrina no citoesqueleto dos oomicetos, causando desorganização celular, inibição da formação de zoósporos, micélio e esporângios. Não afeta a síntese de DNA, RNA ou parede celular como outros fungicidas tradicionais. Isso o torna eficaz contra cepas resistentes a fenilamidas, estrobilurinas, dimetomorf e iprovalicarbe. Tem ação protetora, curativa e anti-esporulante, com translocação meso-sistêmica (move-se via xilema das folhas para as pontas, mas não para as raízes).

Espectro de controle: específico contra oomicetos. É altamente eficaz contra: Bremia lactucae, Peronospora spp., Phytophthora infestans, Plasmopara viticola, Pseudoperonospora cubensis e outros.

Compatibilidades e interações: geralmente compatível fisicamente com muitos fungicidas, inseticidas e adjuvantes em tanque (recomenda-se teste de jarro antes de misturar). É comum em formulações prontas com propamocarbe (Infinito) ou fosetyl-Al (Profiler) para ampliação de espectro e manejo de resistência. Não transloca para baixo (não é basipétalo). Evitar misturas que causem fitotoxicidade ou incompatibilidade física (consultar bulas específicas). No Brasil, o rótulo do Infinito indica misturas aprovadas com dessecantes ou outros produtos Bayer. É estável em pH neutro e tem baixa volatilidade.

Posicionamento agronômico: fungicida meso-sistêmico, protetor e curativo, ideal para programas de manejo integrado de oomicetos em culturas de alto valor (hortaliças, batata, videira). Aplicação foliar (ou em mudas em alguns casos), com intervalo de reaplicação de 7-14 dias e carência baixa (ex.: 2-3 dias em algumas hortaliças). Excelente contra infecções preventivas e curativas iniciais. Contribui para rotação de modos de ação (evita resistência). No Brasil, posicionado especialmente para requeima e míldio. Baixa toxicidade para mamíferos, abelhas e aves, mas tóxico para peixes (evitar contaminação de corpos d’água). Persistente no solo, com restrições de rotação de culturas em alguns rótulos.

Números de patentes: WO 99/42447 (patente original), EP3489221A1 outras.

Citações em artigos científicos

doi.org/10.1016/j.cropro.2013.11.027 - Fluopicolida e piraclostrobina são fungicidas sistêmicos inovadores com alta atividade inibitória sobre um amplo espectro de oomicetos. No entanto, a fungitoxicidade de suas misturas sobre os diferentes estágios de desenvolvimento de Phytophthora infestans e a existência de sinergismo ainda não foram investigadas. A toxicidade conjunta das misturas de fluopicolida e piraclostrobina foi determinada contra os diferentes estágios de desenvolvimento (crescimento micelial, liberação de zoósporos, germinação de cistósporos e germinação de esporângios) de Phytophthora infestans em discos foliares e plantas de batata em vasos. [...] A atividade protetora e curativa contra Phytophthora infestans e a duração da eficácia no controle da requeima da batata das misturas sinérgicas dos dois fungicidas foram examinadas neste estudo. Os resultados mostraram que as misturas de fluopicolida (F) e piraclostrobina (P) nas proporções de 10:1 e 1:4 (F:P) exibiram interações sinérgicas e apresentaram excelente atividade inibitória contra quase todos os estágios de desenvolvimento [...].As interações sinérgicas das misturas nas proporções de 1:4 e 10:1 (F:P) contra o crescimento micelial de isolados resistentes ao metalaxil foram mais evidentes do que contra o crescimento micelial de isolados sensíveis ao metalaxil. As interações sinérgicas das misturas na proporção de 1:4 (F:P) contra o crescimento micelial da maioria dos isolados testados foram mais evidentes do que as das misturas na proporção de 10:1 (F:P). A maior atividade das misturas foi observada contra a liberação de zoósporos na proporção de 1:4 (F:P), com valor de EC50 de 0,0044 μg/ml. A interação sinérgica mais forte das misturas foi observada contra a liberação de zoósporos na proporção de 10:1 (F:P), com uma razão sinérgica de 5,27.

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp
Capas - 2025