Fluazinam

03.06.2026 | 08:46 (UTC -3)

Fluazinam é um fungicida de amplo espectro, de contato e protetor, amplamente utilizado na agricultura para o controle de doenças fúngicas e oomicetos em diversas culturas, com destaque para a soja (mofo-branco) e batata (requeima) no contexto brasileiro.

Nome comum: fluazinam

Número CAS: 79622-59-6

Fórmula química bruta: C13H4Cl2F6N4O4

Classe química: pertence ao grupo das arilaminopiridinas (ou fenilpiridinilaminas / 2,6-dinitroanilinas). Código FRAC: 29 (desacopladores da fosforilação oxidativa, sítio C5). É classificado como fungicida multi-sítio com baixo risco intrínseco de resistência.

Produtos comerciais no Brasil: Fluazinam Nortox 500 SCFluazinam CCAB 500 SCFluazinam 500 SC Proventis e outros.

Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela empresa japonesa Ishihara Sangyo Kaisha (ISK) no final da década de 1980. Foi registrado inicialmente no Japão, Nova Zelândia e Holanda (~1988–1990), seguido pelos EUA em 1992. Introduzido principalmente para controle de requeima da batata (Phytophthora infestans) e mofo-branco. Atualmente é um produto off-patent (genérico), com múltiplos fabricantes globais.

Mecanismo de ação: fungicida de contato protetor (não sistêmico nem curativo) com ação multi-sítio. Atua principalmente como desacoplador da fosforilação oxidativa nas mitocôndrias dos fungos/oomicetos, interrompendo a produção de ATP e causando depleção energética. Também apresenta reatividade com tióis, induz estresse oxidativo (acúmulo de ROS), dano mitocondrial, permeabilização de membranas e morte celular. Inibe germinação de esporos e desenvolvimento inicial da infecção.

Espectro de controle: amplo espectro, com forte ação protetora contra oomicetos (Phytophthora infestans, Plasmopara, Bremia) e fungos (Sclerotinia sclerotiorum, Botrytis cinerea, Rhizoctonia solani, Venturia inaequalis, Clarireedia homoeocarpa e outros). Atividade acaricida adicional em algumas formulações, contextos. Permanece principalmente na superfície da planta.

Compatibilidades e interações: geralmente compatível com muitos fungicidas sistêmicos (triazóis, SDHIs, QoIs) e inseticidas em misturas de tanque, desde que verificada a compatibilidade física e química nos rótulos. Opção para programas de manejo integrado de resistência (rotação ou mistura com outros grupos FRAC). Não apresenta antagonismos graves amplamente relatados, mas sempre seguir recomendações técnicas e bulas. Boa cobertura é essencial devido à ação de contato.

Posicionamento agronômico:

Ideal para aplicações preventivas com excelente cobertura foliar (volume de calda adequado, preferencialmente com adjuvantes).

Na soja (mofo-branco): aplicar no início do florescimento (R1–R2) ou antes do fechamento das entrelinhas, direcionando para a parte inferior do dossel.

Na batata: em programas preventivos contra requeima, iniciando antes de condições favoráveis à doença.

Baixo risco de resistência (multi-sítio), mas recomenda-se alternância ou mistura com outros mecanismos de ação e monitoramento de sensibilidade. Doses típicas variam conforme formulação e cultura (ex.: 250–500+ g i.a./ha). Seguir intervalos de segurança e carência das bulas. Excelente ferramenta em manejo integrado, especialmente onde há pressão de patógenos de solo ou foliares de difícil controle.

Números de patentes: US4349681A

Outras informações:

Estudo de sensibilidade basal de isolados de Sclerotinia sclerotiorum (mofo-branco) de Nova York a fluazinam, boscalida e tiophanato-metílico. Fluazinam apresentou altíssima atividade (EC₅₀ média ~0,0014 µg/mL), sem evidência de resistência nos isolados testados. Ensaios de campo em feijão mostraram redução de 75–93% na incidência da doença e ganhos de produtividade em anos de alta pressão. Reforça o potencial do produto no manejo de mofo branco em leguminosas. - DOI: 10.1094/PDIS-12-16-1731-RE -

Redução de eficácia de fluazinam contra uma nova linhagem clonal (EU_33_A2) de Phytophthora infestans na Holanda. Testes in vitro e de campo sob alta pressão de doença confirmaram sensibilidade reduzida nessa linhagem específica. Até então, não havia relatos significativos de resistência na Europa; o risco geral continua considerado baixo, mas monitoramentos são recomendados. - DOI: 10.1007/s10658-018-1430-y -

Avaliação de campo da eficácia de fluazinam (isolado ou em tratamentos sequenciais) contra requeima da batata (Phytophthora infestans). O produto reduziu significativamente a severidade da doença, melhorou crescimento vegetativo, rendimento de tubérculos e parâmetros de qualidade (açúcares, proteína, amido, vitamina C). Tratamentos sequenciais com bioinsumos foram eficazes como alternativa de manejo integrado. - DOI: 10.1080/03235408.2022.2122129 -

Impacto de fluazinam em características morfológicas e fisiológicas de Sclerotinia sclerotiorum. O fungicida inibiu fortemente o crescimento micelial, alterou morfologia (aumento de ramificações), aumentou permeabilidade de membrana e inibiu produção de ácido oxálico. Contribui para entendimento do mecanismo multi-sítio e potencial no controle de mofo branco. - DOI: 10.1016/j.pestbp.2018.11.009 -

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