Cyperus rotundus

31.05.2026 | 14:11 (UTC -3)
Foto: Jee and Rani Nature Photography - CC BY-SA 40
Foto: Jee and Rani Nature Photography - CC BY-SA 40

Cyperus rotundus L. representa uma das plantas daninhas mais persistentes e de manejo desafiador em sistemas agrícolas tropicais e subtropicais, especialmente em contextos de produção intensiva como cana-de-açúcar, arroz, milho, soja e hortaliças. Conhecido no Brasil por nomes comuns como tiririca, tiririca-vermelha ou capim-dandá (e internacionalmente como purple nutsedge, nut grass ou coco grass), Cyperus rotundus é uma ciperácea perene que se destaca pela sua capacidade de infestar áreas cultivadas, margens de estradas, pomares e solos disturbados.

Seu nome científico Cyperus rotundus L. foi formalizado por Linnaeus em 1753 na Species Plantarum, com histórico taxonômico marcado por sinônimos como Chlorocyperus rotundus (L.) Palla, Cyperus agrestis Willd. ex Spreng. & Link e outros, refletindo variações morfológicas e adaptações geográficas ao longo das descrições botânicas. Pertence à família Cyperaceae, ordem Poales, classe Liliopsida, e é nativo de regiões tropicais da África, sul e centro da Europa e sul da Ásia, tendo se espalhado pantropicalmente por meio de tubérculos transportados em solo, equipamentos agrícolas e água.

A biologia do Cyperus rotundus explica sua tenacidade como planta daninha: trata-se de uma planta herbácea perene com caules triangulares, folhas dispostas em três fileiras e inflorescência em umbela com espiguetas arroxeadas. Sua reprodução é predominantemente vegetativa, por rizomas finos e tubérculos em cadeias (até 6 ou mais por rizoma), que armazenam reservas energéticas e permitem regeneração mesmo após estresse. Como planta C4, exibe alta eficiência fotossintética em condições de alta temperatura e luminosidade, com tubérculos viáveis por anos no solo (densidades superiores a 50 mil/m³ em infestações graves).

A sua agressividade como planta daninha decorre da competição intensa por água, nutrientes e luz, somada a efeitos alelopáticos que inibem germinação e crescimento de culturas adjacentes, resultando em perdas de produtividade de 20 a 90% em diversas espécies cultivadas, como cana-de-açúcar, hortaliças e grãos. Além disso, serve como hospedeira alternativa para insetos-praga e patógenos, agravando o impacto econômico e fitossanitário em sistemas agrícolas.

Ecologicamente, Cyperus rotundus adapta-se a solos variados (preferencialmente úmidos e férteis, mas tolera seca moderada), climas quentes e áreas abertas ou cultivadas, sendo menos tolerante a sombra, salinidade ou temperaturas baixas. Sua distribuição pantropical atual deve-se à dispersão antropogênica, com tubérculos sobrevivendo em profundidades de até 40 cm e brotando ciclicamente, o que favorece infestações em solos disturbados por preparo ou irrigação.

O controle de Cyperus rotundus exige abordagem integrada, pois métodos isolados são ineficazes devido à reserva subterrânea de tubérculos. Práticas culturais incluem rotação de culturas, consórcio com coberturas competitivas (como Sesbania), solarização do solo e manejo de irrigação para reduzir brotação. Métodos mecânicos, como cultivo repetido no verão para expor e dessecar tubérculos, combinados com herbicidas translocados (ex.: halosulfuron-methyl, sulfentrazone, imazapic ou glyphosate em aplicações múltiplas), oferecem supressão, mas demandam integração com mulching (natural ou plástico) e monitoramento de densidade para evitar reinfestação. Em sistemas de plantio direto ou orgânico, a ênfase recai em práticas preventivas e biológicas limitadas, com foco em exaustão das reservas dos tubérculos ao longo de ciclos. A persistência de Cyperus rotundus como planta daninha reforça a necessidade de estratégias sustentáveis baseadas em ecologia e manejo integrado para minimizar perdas e preservar a produtividade agrícola.

Outras informações científicas:

Cyperus rotundus, uma erva daninha distribuída globalmente e altamente competitiva, evoluiu resistência a herbicidas, representando um desafio significativo para a agricultura sustentável; no entanto, a falta de recursos genômicos tem limitado investigações abrangentes sobre seus mecanismos de resistência. Aqui, relatamos uma montagem do genoma em nível cromossômico de Cyperus rotundus triploide (875,13 Mb distribuídos em 165 cromossomos), que exibe alta sintenia entre os haplótipos. A análise comparativa de seis populações revelou que apenas uma população de Changde, Hunan, China (designada R-HN) exibiu resistência dupla ao glifosato e ao glufosinato. Nessa população, a alta expressão do gene de resistência no sítio-alvo glutamina sintetase 2 (GS2) contribui para a resistência ao glufosinato, enquanto a resistência ao glifosato é predominantemente mediada por mecanismos de resistência não no sítio-alvo (NTSR). Ao integrar o perfilamento transcriptômico com validação funcional baseada em levedura, identificamos dois genes NTSR, CrABCG15 e CrCASPL2C2, que conferem resistência ao glifosato. Coletivamente, este estudo fornece um recurso genômico de alta qualidade para Cyperus rotundus e avança nosso entendimento de sua evolução genômica e dos mecanismos de resistência a herbicidas. - DOI: 10.1016/j.xplc.2025.101624 -

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