Clotianidina (clothianidin)

11.05.2026 | 15:18 (UTC -3)

Clotianidina (clothianidin) é um inseticida sistêmico amplamente utilizado no contexto agrícola, pertencente à classe dos neonicotinoides.

Nome comum: clothianidin

Número CAS: 210880-92-5

Fórmula química bruta: C6H8ClN5O2S

Classe química: neonicotinóide (grupo IRAC 4A), especificamente da subclasse nitroguanidina com anel tiazólico (thiazole insecticide). É estruturalmente similar ao imidacloprido e tiametoxam, mas com modificações que conferem maior estabilidade e seletividade.

Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: PonchoInside FS e outros.

Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela Takeda Chemical Industries (atual Sumitomo Chemical Takeda Agro) em codesenvolvimento com a Bayer AG no final dos anos 1980/início dos 1990, a partir de modificações no nitenpiram. Foi o primeiro neonicotinóide com anel tiazólico, visando maior estabilidade, baixa dose e seletividade inseto / mamífero. Registrado primeiro no Japão em 2001 (Dantotsu para culturas alimentares e Fullswing para gramados). Nos EUA, registro condicional pela EPA em 2003 e incondicional em 2010 (para TS de milho e canola). No Brasil, registros ocorreram a partir dos anos 2000, com destaque para uso em TS de grandes culturas.

Mecanismo de ação: agonista dos receptores nicotínicos de acetilcolina (nAChR) no sistema nervoso central dos insetos. Liga-se irreversivelmente aos receptores pós-sinápticos, causando superestimulação nervosa, paralisia e morte. Não inibe a acetilcolinesterase (diferente de organofosforados / carbamatos). É sistêmico (absorvido pela planta via raízes ou sementes) e atua por contato e ingestão. Tem alta afinidade pelos receptores insetos (baixa nos mamíferos devido à barreira hematoencefálica).

Espectro de controle: amplo espectro, especialmente eficaz contra insetos sugadores (pulgões, cigarrinhas, tripes, mosca-branca) e alguns mastigadores / solo (larvas de Diabrotica, wireworms, grilos, besouros). Usado em milho, soja, algodão, cana, hortaliças e frutas. Excelente em tratamento de sementes para proteção inicial (sistêmico translaminar). Menos eficaz contra lepidópteros adultos.

Compatibilidades e interações

Compatível com muitos fungicidas em tratamento de sementes (ex.: carbendazim + thiram, metalaxil). Pode ser coformulado com outros inseticidas (imidacloprido, fluoxastrobin) ou fungicidas. Em misturas tanque, deve-se evitar incompatibilidades físico-químicas (testar sempre). Alta toxicidade para polinizadores (abelhas) e invertebrados aquáticos – restrições de uso próximo a colmeias ou corpos d’água. Estudos mostram compatibilidade com alguns biológicos em baixas doses, mas geralmente é antagonista a inimigos naturais.

Posicionamento agronômico: principalmente em tratamento de sementes (TS) para proteção sistêmica precoce contra pragas iniciais em milho (cigarrinha, pulgão, larvas de solo), soja, algodão e cana. Também aplicação foliar ou solo em hortaliças e frutas. Dose típica: 0,3-1,0 L/100 kg sementes. Posicionamento estratégico em rotação com outros modos de ação (IRAC 4A) para retardar resistência. Eficaz em IPM, mas com monitoramento de abelhas e risco ambiental (persistente no solo).

Números de patentes: EP 0376279, US 5034404 e outras.

Outros pontos científicos

A clotianidina apresenta excelente eficácia no controle de uma ampla variedade de pragas de insetos, como Hemiptera, Thysanoptera, Coleoptera, Lepidoptera e Diptera, mesmo em pequenas quantidades, com ação sistêmica e por meio de diversos métodos de aplicação. As características estruturais da clotianidina incluem um anel tiazólico e um esqueleto de guanidina de cadeia aberta. - DOI 10.1021/jf1024938 -

Enzimas UGT (UDP-glicosiltransferases) UGT36M1 e UGT306K1 conferem resistência a clothianidin em Bradysia odoriphaga (mosca-das-raízes). Inibidores de UGT sinergizam com o inseticida na cepa resistente, revelando mecanismo metabólico. - DOI 10.1016/j.pestbp.2025.106349 -

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