Bifemetstrobina (bifemetstrobin)

09.07.2026 | 08:47 (UTC -3)

Bifemetstrobina (bifemetstrobin) é um novo fungicida estrobilurina (QoI) descoberto pela Sumitomo Chemical Co., Ltd. (Japão), código de desenvolvimento S-2326. Trata-se de um ativo com potencial relevante para o manejo de doenças foliares em culturas como soja, arroz, trigo, frutas e hortaliças, especialmente em cenários de resistência a fungicidas QoI existentes.

Nome comum: bifemetstrobin

Número CAS: 2454319-63-0

Fórmula química bruta: C18H18O4

Classe química: fungicida estrobilurina (strobilurin) do grupo dos inibidores de quinona externa (QoI, FRAC código 11 / grupo C3 — inibidor do complexo III da cadeia respiratória mitocondrial no sítio Qo). Pertence à subclasse fenoxipropenoato / metoxi-acrilato. É descrito como um novo membro da família com características que permitem atividade em algumas cepas resistentes a QoIs clássicos.

Histórico de desenvolvimento: descoberto pela Sumitomo Chemical (Japão). Nome ISO provisório em junho de 2024. A empresa informou sobre pedidos de registro submetidos em 9 de julho de 2026 (Japão, Estados Unidos e Brasil). O ativo foi desenvolvido com foco em amplo espectro e, especialmente, em eficácia contra cepas de patógenos resistentes a QoIs existentes, incluindo Phakopsora pachyrhizi (ferrugem da soja). Estudos internos e externos confirmaram essa característica de “quebra de resistência”. Patentes protegem a composição e métodos de uso. É considerado um ativo de nova geração dentro das estrobilurinas.

Mecanismo de ação: inibidor QoI, bloqueia a respiração mitocondrial ao inibir o complexo III (citocromo bc₁) no sítio de oxidação da ubiquinol (sítio Qo). Isso impede a transferência de elétrons e a síntese de ATP nos fungos patogênicos. Ação predominantemente de contato. Diferencia-se de outros QoIs por apresentar baixos fatores de resistência (RFs) em vários haplótipos mutantes do citocromo b (Cytb) que conferem resistência a azoxistrobina, piraclostrobina ou piribencarbe.

Espectro de controle: Fungos filamentosos (Ascomycota, Basidiomycota, Blastocladiomycota etc.), Oomycetes, Phytomyxea.

Exemplos de alvos: Cochliobolus miyabeanus, Magnaporthe oryzae, Phakopsora pachyrhizi (destaque para cepas resistentes a QoIs, incluindo F129L), Pyricularia oryzae, Rhizoctonia solani.

Compatibilidades e interações: dados específicos ainda limitados (ativo muito recente). Como outros QoIs, deve apresentar boa compatibilidade física e química com muitos fungicidas, inseticidas e adjuvantes em misturas de tanque, mas recomenda-se sempre testes prévios de compatibilidade e fitotoxicidade.

Importante para manejo de resistência: QoIs são de alto risco (FRAC). Bifemetstrobin deve ser usado em mistura ou alternância com fungicidas de outros grupos de ação (ex.: SDHI, triazóis/DMI, multi-sítio como clorotalonil ou mancozebe) para retardar o desenvolvimento de resistência. Estudos in vitro mostram baixo cross-resistance com vários mutantes de Cytb que afetam outros QoIs.

Posicionamento agronômico: ferramenta promissora para manejo de resistência a QoIs em populações resistentes, especialmente na cultura da soja brasileira, onde a ferrugem asiática representa grande desafio fitossanitário e econômico. Sua capacidade de manter atividade em cepas com mutações como F129L (e outras combinações) o posiciona como opção valiosa em programas de manejo integrado de doenças (MID). Ação preventiva principal (típica de estrobilurinas de contato); uso em misturas amplia espectro e protege a eficácia a longo prazo.

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