Bacillus firmus é uma bactéria benéfica do solo com papel destacado no controle biológico de nematóides parasitas de plantas. Diferente de uma praga, trata-se de um agente de biocontrole. Sua utilização reduz perdas em culturas como tomate, soja e hortaliças. O texto a seguir aborda os tópicos solicitados com base em evidências científicas.
O nome científico é Bacillus firmus Bredemann and Werner 1933. Análises filogenômicas recentes propuseram a transferência para o gênero Cytobacillus. Contudo, a denominação Bacillus firmus permanece padrão na literatura agrícola e em produtos comerciais.
A bactéria não possui nomes comuns consolidados. Em publicações técnicas, é referida como bactéria nematicida ou pelo nome da cepa I-1582 em bionematicidas registrados.
A taxonomia inclui o filo Bacillota, a classe Bacilli, a ordem Bacillales e a família Bacillaceae. A espécie foi descrita em 1933 a partir de isolados de solo agrícola. A cepa tipo é ATCC 14575. Estudos de 2020 por Patel e Gupta reclassificaram-na com base em genômica comparativa. A cepa I-1582, isolada de solo em Israel, é a mais estudada para fins agrícolas.
A biologia do Bacillus firmus envolve células em forma de bastonete, Gram-positivas e aeróbicas. A bactéria forma esporos resistentes. Esses esporos permitem sobrevivência em condições adversas de temperatura, umidade e radiação. Cepas como a I-1582 produzem metabólitos secundários. Destaca-se a protease serina Sep1. Essa enzima degrada proteínas intestinais de nematóides. Algumas cepas colonizam a rizosfera e induzem resistência sistêmica na planta hospedeira. O efeito depende da espécie vegetal. Em tomate e algodão, a indução ocorre. Em milho, o efeito é menor em alguns ensaios.
A bionomia compreende multiplicação na fase vegetativa sob condições ótimas. A temperatura ótima de crescimento situa-se em torno de 30 - 35°C. A bactéria persiste no solo como esporo por períodos prolongados. A atividade nematicida concentra-se em ovos e juvenis. Adultos sofrem menor impacto direto. A colonização radicular proporciona proteção contínua por semanas após aplicação. A cepa I-1582 mantém viabilidade em ampla faixa de temperaturas do solo.
A ecologia posiciona o Bacillus firmus como habitante natural de solos agrícolas. Ele contribui para a supressividade do solo contra nematóides parasitas. A presença aumenta com práticas como rotação de culturas e incorporação de matéria orgânica. A bactéria interage com a microbiota rizosférica e com a planta. Algumas cepas promovem crescimento vegetal por mecanismos de PGPR. Ambientes com pH neutro a levemente alcalino favorecem sua atividade. Isolados também ocorrem em águas residuais ou marinhas, mas o foco agrícola recai sobre solos cultivados.
O controle exercido pelo Bacillus firmus baseia-se em múltiplos modos de ação. Formulações da cepa I-1582 são registradas na União Europeia para uso contra Meloidogyne spp. em hortaliças. A aplicação ocorre via tratamento de sementes, drench ou fertirrigação. Estudos em tomate mostram redução de galhas, massas de ovos e populações de Meloidogyne incognita. A bactéria é compatível com nematicidas químicos como oxamil e fostiazato em estratégias integradas. Vantagens incluem segurança para humanos, animais e ambiente. Não deixa resíduos tóxicos. O risco de resistência nos nematóides alvo é baixo devido aos mecanismos diversificados: ação enzimática, toxinas, competição e indução de defesas vegetais. No Brasil, o uso de bionematicidas ganha espaço em sistemas de produção sustentável. Eles reduzem a dependência de produtos químicos sintéticos restritos por regulamentações ambientais.
Estudos demonstram eficácia consistente em condições de campo e casa de vegetação. A bactéria atua sozinha ou em combinação com outros agentes de controle biológico. Sua formulação como pó molhável ou tratamento de sementes facilita o uso pelo produtor. A persistência no solo varia com tipo de solo, temperatura e umidade. Em solos tropicais brasileiros, a atividade mantém-se em temperaturas elevadas típicas de verão.
A integração no manejo integrado de pragas (MIP) é recomendada. Monitoramento de populações de nematóides precede a aplicação. A rotação com culturas não hospedeiras complementa o efeito. Adubação orgânica favorece a microbiota benéfica, incluindo Bacillus firmus. Resultados em soja mostram proteção contra Heterodera glycines em alguns ensaios. Em banana, o controle de Radopholus similis é relatado em literatura internacional.