Acrinatrina (acrinathrin)

08.06.2026 | 13:05 (UTC -3)

Acrinatrina (acrinathrin) é um inseticida e acaricida piretróide sintético usado no controle de pragas agrícolas, especialmente ácaros fitófagos e alguns insetos sugadores ou raspadores.

Nome comum: acrinathrin

Número CAS: 101007-06-1

Fórmula química bruta: C26H21F6NO5

Classe química: piretróide sintético (derivado de hexafluoro-2-propanol). Pertence ao grupo IRAC 3A (moduladores de canais de sódio). É classificado como piretróide Tipo II devido à presença do grupo ciano α.

Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: Rufast 50 SC

Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela Roussel Uclaf (código RU 38702) na França. Introduzido comercialmente em 1990. Trata-se de um piretróide produzido como isômero único altamente ativo por meio de síntese química multi-etapa complexa, otimizada para maximizar a atividade inseticida e acaricida e minimizar impurezas. Atualmente, o principal produto comercial com a molécula pertence à FMC em razão de uma sucessão de fusões e aquisições: (a) os ativos agroquímicos da Roussel Uclaf foram transferidos para a Hoechst Schering AgrEvo em 1994; (b) a Hoechst fundiu sua divisão agrícola (AgrEvo) com a divisão agroquímica da Rhône-Poulenc, formando a Aventis CropScience, em 1999; (c) a Bayer AG adquiriu a Aventis CropScience por €7,25 bilhões, em 2002; (d) a Cheminova adquiriu o negócio de acrinatrina fora da Europa em dezembro de 2006; (e) a FMC Corporation adquiriu a Cheminosa A/S em 2015.

Mecanismo de ação: ação de contato e ingestão. Atua como neurotoxina moduladora de canais de sódio voltagem-dependentes no sistema nervoso de insetos e ácaros. Prolonga a abertura desses canais, causando hiperexcitação neuronal, tremores, paralisia e morte. Pertence ao grupo 3A do IRAC.

Espectro de controle: eficaz contra ácaros fitófagos e insetos como tripes, psilídeos, minadores de folhas e pulgões. Há resistência relatada em algumas populações de Tetranychus urticae e Frankliniella occidentalis. No Brasil, o Rufast 50 SC é posicionado principalmente como acaricida.

Compatibilidades e interações: como piretróide, geralmente apresenta boa compatibilidade física com muitos fungicidas foliares e fertilizantes, mas recomenda-se sempre realizar teste de jarro (compatibilidade física) e observar fitotoxicidade em culturas sensíveis. Estudos em citricultura avaliam misturas de acaricidas com fertilizantes foliares para otimizar aplicações. Evitar misturas com produtos fortemente alcalinos (podem degradar piretróides) ou que potencializem toxicidade. Alta toxicidade para abelhas e organismos aquáticos exige cuidado em misturas e janelas de aplicação. Pode ocorrer resistência cruzada com outros piretróides (grupo 3A).

Posicionamento agronômico: aplicação foliar (pulverização terrestre) com boa cobertura, pois a ação é predominantemente de contato. No Brasil, o Rufast 50 SC é indicado conforme bula para controle de pragas específicas (ácaros e alguns insetos) em hortaliças e outras culturas registradas.

Em programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP), deve ser rotacionado com inseticidas e acaricidas de outros grupos químicos para retardar resistência. Devido à toxicidade para abelhas, evitar aplicações em floração ou realizar à noite. Baixa solubilidade em água, baixa volatilidade e forte adsorção ao solo (baixa lixiviação). Persistência moderada no solo (DT₅₀ ≈ 20–40 dias em condições de campo). Monitorar resíduos para cumprimento de Limites Máximos de Resíduos (LMRs), que são baixos em vários mercados (ex.: UE).

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