Setor da erva-mate enfrenta pressão de preços e custos
Por Ivar Wendling, José Mauro Moreira e Ives Goulart, da Embrapa Florestas
O milho no Cerrado enfrenta pressão crescente de patógenos nas raízes, no colmo e na parte aérea. Em sistemas intensivos, como a sucessão soja-milho, nematoides, fungos e oomicetos encontram hospedeiros, restos culturais e janelas sucessivas para multiplicação. A combinação reduz o arranque inicial, compromete a sanidade radicular, favorece podridões de colmo e antecipa infecções foliares. O resultado aparece na perda de vigor, na menor exploração de água e nutrientes e na dificuldade de expressar o potencial produtivo dos híbridos.
Essa é a avaliação de Senio Matheus Telles, especialista em tratamento de sementes da BASF, para quem o milho assumiu papel maior na rentabilidade das fazendas, tornando importante maior atenção fitossanitária à cultura. O avanço ocorreu em ambientes de alta intensidade produtiva. O produtor passou a decidir sob pressão de pragas, doenças, fertilidade do solo, clima e janela de plantio. “Os desafios vão mudando ao longo do tempo”, explica. Ele cita o avanço de soluções químicas, genéticas e de ajuste de híbridos à janela agrícola. Mesmo assim, o manejo exige análise crítica em cada safra.
Nos últimos anos, cigarrinhas e enfezamentos dominaram parte das decisões no milho. A genética reduziu parte desse gargalo. Mas o sistema abriu espaço para problemas antes tratados como secundários. Telles cita a mancha causada por Bipolaris maydis como exemplo. A doença ganhou importância em áreas do Cerrado e passou a exigir atenção no manejo de híbridos suscetíveis.
A doença causada por Bipolaris maydis é comumente chamada de mancha-foliar ou mancha de bipolaris. O fungo afeta folhas e pode reduzir rendimento e qualidade dos grãos em híbridos suscetíveis, sob temperatura e umidade favoráveis. O patógeno sobrevive em restos culturais de milho e libera conídios por vento e respingos de chuva. A infecção exige água livre na superfície foliar e temperaturas entre 18 ºC e 30 ºC, com ótimo próximo de 25 a 28 ºC.
Telles também coloca a sanidade de colmo entre os temas com tendência de maior importância. O problema aparece no fim do ciclo, quando o milho permanece no campo até a colheita. Quanto maior o período de permanência na lavoura, maior a exposição a patógenos associados a podridões. Esse ponto interfere na sustentação da planta e na flexibilidade operacional do produtor.
A diplodia entra nesse grupo de doenças com impacto no milho. Stenocarpella maydis, antes conhecido como Diplodia maydis, causa podridão branca da espiga e podridão de colmo. O fungo reduz peso e qualidade dos grãos. Também pode causar tombamento de plântulas, podridão de colmo e manchas foliares em algumas condições. O patógeno sobrevive como micélio e picnídios em resíduos de milho na superfície ou parcialmente incorporados ao solo.
A epidemiologia de Stenocarpella maydis depende de resíduos culturais e clima. O inóculo primário vem, em grande parte, de restos de milho da safra anterior. Períodos prolongados de umidade favorecem a liberação e a disseminação de conídios. A rotação com culturas não hospedeiras, o uso de híbridos tolerantes e o manejo de resíduos compõem as medidas de manejo integrado.
Os patógenos de solo completam o quadro de risco no início da lavoura. Telles lembra que a semente enfrenta pressão antes mesmo da semeadura. Ela pode carregar patógenos do campo de produção, pode passar por contaminação no armazenamento e, depois, encontrar novos organismos no solo. Ele cita fungos e oomicetos em torno da semente e da plântula, com destaque para Pythium spp. nos primeiros plantios e em ambientes favoráveis ao patógeno.
O grupo Pythium spp. reúne oomicetos associados a tombamento de plântulas, podridão de sementes e podridões radiculares. No milho, o problema aparece com podridão radicular e falhas no estabelecimento. Solos frios, encharcados ou com drenagem deficiente favorecem o desenvolvimento do patógeno. O dano recai sobre tecidos jovens e reduz o vigor inicial da cultura.
Para Telles, o produtor precisa olhar a doença como um complexo, e não apenas como problema de parte aérea. A pressão começa na semente, passa pelo armazenamento, chega ao solo e alcança a parte aérea nos estádios vegetativos. “Muitas vezes a gente pensa somente nos fungos de parte aérea”, conta. Na avaliação dele, a fase inicial da lavoura merece atenção porque define a base fisiológica para o desempenho do híbrido.
Os nematoides ampliam a complexidade do manejo. Telles cita, em especial, Pratylenchus brachyurus e Meloidogyne incognita. Esses organismos vivem no solo, infectam raízes e se reproduzem em plantas daninhas e culturas como soja, milho e algodão. Em áreas intensivas do Cerrado, a população pode crescer safra após safra quando não ocorre intervenção.
O especialista evita a ideia de erradicação. Para ele, o manejo deve buscar convivência técnica com o patógeno. A eliminação completa não entra no horizonte prático, pois o sistema mantém cultivos sucessivos e hospedeiros ao longo do ano. Por isso, empresas, pesquisadores e produtores tratam nematoides como alvo de manejo contínuo, e não como problema resolvido em uma única safra.
A identificação do dano no milho apresenta dificuldade adicional. Na soja, reboleiras costumam indicar áreas sob ataque de nematoides. No milho, esse padrão nem sempre aparece com clareza. Telles afirma que o dano pode se expressar depois, na forma de problemas de colmo. As lesões nas raízes criadas durante a penetração e a alimentação dos nematoides funcionam como portas de entrada para patógenos oportunistas. Entre eles, ele cita Fusarium spp., associado a podridões de colmo.
O impacto também aparece no arranque inicial. No momento do plantio, a semente precisa germinar e formar raízes em um ambiente já ocupado por nematoides. Esses organismos buscam alimento e atacam raízes jovens. Qualquer limitação ao crescimento radicular prejudica o estabelecimento. Na safrinha, esse ponto ganha peso, pois o produtor busca rápido fechamento da lavoura e maior resiliência diante de eventual veranico no fim do ciclo.
Raízes limitadas reduzem a capacidade da planta de explorar água e nutrientes. Esse efeito pode repercutir na parte aérea e no colmo. Telles associa raízes mais sadias e profundas a plantas com melhor capacidade de sustentação e maior estabilidade até a colheita. Para ele, o benefício nem sempre aparece apenas em números imediatos de produtividade. Também aparece na possibilidade de manter o material no campo até a janela adequada de colheita.
Nesse cenário, o tratamento de sementes entra como uma etapa estratégica. Telles destaca uma característica operacional: a aplicação ocorre uma única vez. Depois da semeadura, não existe retratamento da semente. A escolha dos produtos, a composição da receita e a qualidade da operação precisam ocorrer antes da entrada no solo.
O tratamento deve cumprir várias funções no manejo fitossanitário. Precisa reduzir patógenos presentes na semente, proteger contra organismos de solo, contribuir contra doenças iniciais de parte aérea e auxiliar no manejo de nematoides. Na prática, a semente tratada leva uma primeira barreira de proteção para uma fase de alta vulnerabilidade fisiológica.
O produto ILEVO® aparece, nesse contexto, como ferramenta de dupla ação para a máxima proteção da lavoura. Trata-se de um nematicida e fungicida sistêmico, de contato e ingestão, pertencente ao grupo químico benzamida piramida. O ingrediente ativo fluopiram aparece na concentração de 600 gramas por litro. O produto possui formulação em suspensão concentrada para tratamento de sementes.
Para a cultura do milho, a bula registra alvos fúngicos, oomicetos e nematoides. A lista inclui Bipolaris maydis, Diplodia maydis (sinônimo de Stenocarpella maydis), Meloidogyne incognita, Pratylenchus brachyurus, Pythium ultimum e Pythium aphanidermatum.
Telles destaca a mobilidade do fluopiram dentro da planta. Segundo ele, após o tratamento da semente, a molécula consegue translocar e alcançar a parte foliar. Com isso, o ILEVO® atua como barreira inicial contra infecções de Bipolaris maydis e Diplodia maydis. O objetivo consiste em reduzir a infecção inicial e permitir a entrada da primeira aplicação foliar em condição preventiva, não curativa.
Esse posicionamento ganha importância em áreas com híbridos suscetíveis e com histórico de doenças. Em muitas situações, o produtor entra com fungicida foliar ainda no período vegetativo. Quando a lavoura já apresenta infecção, a aplicação assume caráter curativo. Telles afirma que o tratamento de sementes com ILEVO® ajuda a manter a cultura “no limpo” até esse primeiro manejo foliar.
No caso de Bipolaris maydis, o manejo integrado também envolve resistência genética, práticas culturais e fungicidas aplicados de forma racional. A doença encontra ambiente favorável em plantio direto com resíduos na superfície, alta pluviosidade e temperaturas amenas a quentes. O controle químico deve ocorrer em situações de alta pressão de inóculo ou em híbridos suscetíveis, com aplicações preventivas ou no início dos sintomas.
Para Diplodia maydis (Stenocarpella maydis), o manejo integrado exige atenção ao resíduo de milho, à rotação de culturas e à tolerância genética. O fungo sobrevive em resíduos e pode permanecer viável por meses, sobretudo quando a palhada fica sobre a superfície. O tratamento de sementes com fungicida sistêmico pode reduzir tombamento de plântulas originado de transmissão pela semente.
No manejo de nematoides, Telles vê vantagem na inclusão do milho dentro do programa de controle. Segundo ele, parte dos investimentos ocorre em soja ou algodão. Sem intervenção na safrinha, a população pode se multiplicar no milho e retornar com pressão elevada no ciclo seguinte. A entrada de uma ferramenta nematicida no milho ajuda a manter a população abaixo do nível de dano ao longo do sistema.
O modo de ação do ILEVO® explica a dupla atuação. Telles afirma que o produto atua da mesma forma em fungos, oomicetos e nematoides. Ele interfere no sistema respiratório, nas mitocôndrias, por ação sobre a enzima succinato-desidrogenase. O ingrediente ativo, fluopiram, é inibidor do Complexo Segundo da succinato-desidrogenase, no grupo C2 (fungicida) e no grupo N-3 (nematicida). O bloqueio da enzima reduz a produção de energia, limitando penetração, desenvolvimento e multiplicação.
O especialista também destaca a importância do residual. Para ele, o produto precisa permanecer nas raízes por período suficiente para proteger a planta além dos primeiros dias após a semeadura. Essa permanência sustenta o manejo de nematoides durante fases posteriores do desenvolvimento. A proteção inicial, portanto, não se limita ao momento da germinação.
Telles explica ainda que a dupla ação de ILEVO® pode reduzir custos operacionais por concentrar ação fungicida e nematicida em uma solução no tratamento de sementes.
Para o especialista, a principal medida não envolve criar potencial produtivo, mas proteger o potencial já presente na genética. O híbrido carrega um teto produtivo definido no melhoramento. Doenças e nematoides reduzem esse teto ao disputar recursos com a planta e danificar tecidos. O papel da ferramenta consiste em preservar raízes, colmo e folhas para permitir maior expressão do material escolhido pelo produtor.
Essa lógica aproxima o tratamento de sementes do manejo de sistema. No Cerrado, soja, milho, algodão, plantas daninhas e restos culturais mantêm organismos vivos entre safras. Nematoides não desaparecem com uma aplicação isolada. Fungos e oomicetos encontram abrigo em sementes, solo, palhada e tecidos infectados. A resposta técnica exige monitoramento, acompanhamento do histórico de área, híbridos adequados, rotação de mecanismos de ação e integração entre tratamento de sementes e aplicações posteriores.
Atenção: este produto é perigoso à saúde humana, animal e ao meio ambiente. Uso agrícola. Venda sob receituário agronômico. Consulte sempre um agrônomo. Informe-se e realize o manejo integrado de pragas. Descarte corretamente as embalagens e os restos dos produtos. Leia atentamente e siga as instruções contidas no rótulo, na bula e na receita. Utilize os equipamentos de proteção individual.
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