Contribuições da análise foliar para o uso sustentável e racional dos insumos agrícolas

Por Luiz Fernando Costa Ribeiro Silva e Letícia Almeida, da Universidade Federal de Viçosa

09.07.2024 | 15:39 (UTC -3)

A análise de tecido foliar se mostra uma etapa muito importante em um manejo sustentável, tanto no âmbito econômico e, principalmente, ambiental. 

Esta avaliação é muito acessível em relação a seu custo, que está situada na faixa de R$25,00 – R$ 40,00/amostra a análise química completa. No entanto, os valores variam em função ao laboratório, região e quantidade de amostras. Devido a seu custo-benefício ela se mostra uma importante aliada que permite identificar ajustes necessários ao manejo nutricional da lavoura e, consequentemente, aproximar-se da recomendação de adubação ideal para a cultura.

Os resultados da análise foliar necessitam de interpretação, assim como os dados de uma análise de solo. Após essa interpretação e uso correto de suas análises há maior ganho em produtividade e retorno econômico da propriedade agrícola. Um exemplo desse retorno é a informação de que o nutriente está com seu teor na faixa adequada, mas sendo limitante por excesso quando comparado aos demais nutrientes, portanto, o gasto com esse nutriente foi superior ao necessário. Isso permite ao produtor a correção no ponto exato.

Há diversos métodos para interpretação dos dados de uma análise foliar, sendo eles: Faixa de Suficiência, Nível Crítico Foliar, Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS), Diagnose da Composição Nutricional (CND), etc. No entanto, existem relativas diferenças entres os métodos e nem sempre todos são amplamente utilizados. Como exemplo dessa limitação, os cálculos matemáticos envolvidos no DRIS são complexos e pouco acessíveis.

O momento da coleta, número de plantas amostradas, qual folha a ser amostrada é relativo a cada cultura e, esses dados, são divulgados na literatura. Entretanto, um material que compila essas informações é útil para o engenheiro agrônomo, técnico e/ou produtor agilizar o processo de análise e interpretação de dados do tecido vegetal. Assim, são encontrados diversos materiais na internet que possibilite tal ação (Figura 1).

Figura 1: exemplo de planilha que compila informações de métodos de coleta de material para análise foliar
Figura 1: exemplo de planilha que compila informações de métodos de coleta de material para análise foliar

Métodos como Faixa de suficiência, DRIS e CND são os principais meios avaliativos do estado nutricional das plantas, uma vez que garante ao técnico maior poder de reação com os dados apresentados. 

O método de Faixa de suficiência propõe fácil interpretação dos resultados analíticos, sendo apresentado uma faixa ideal do teor do nutriente avaliado. Já o método CND leva em conta cálculos matemáticos que consideram a relação entre todos os nutrientes, fator que permite identificar desbalanços nutricionais. Por isso, é importante realizar a interpretação com mais de um método para auxiliar na tomada de decisão.

O método mais usual para interpretação do resultado da análise foliar é o Faixa de Suficiência, devido a fácil utilização (Wadt et al., 2013). A Diagnose da Composição Nutricional favorece o diagnóstico mais acurado do estado nutricional da cultura, visto que se baseia em múltiplas interações dos nutrientes (Partelli et al., 2014). Além disso, é um método que não é tão sensível a alguns fatores como; cultivar, estágio de crescimento ou posição da folha de coleta (Gopalasundaram et al., 2012; Mccray et al., 2016).

Como exemplo de interpretação dos dados, pode-se sugerir que as limitações por deficiência de nutrientes catiônicos (K, Ca e Mg), quando ocorrem em maior frequência, é devido a uma saturação de bases insuficiente (Dezordi et al., 2016). Interpretação que não seria totalmente possível apenas com a análise de solo.

Após o entendimento da importância da análise foliar para determinação do estado nutricional das plantas pode-se perceber como ela é eficaz não somente nesse quesito, mas também em otimizar os recursos de tomada de decisão do técnico, produtor, engenheiro agrônomo e todos responsáveis pela agricultura mundial.

*Por Luiz Fernando Costa Ribeiro Silva e Letícia Almeida, da Universidade Federal de Viçosa

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